Maio 26, 2009...1:27 am

O caso do silencio

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[ESBOÇO 1]

Gritos de criança mexiam com seu fígado. Escapamentos de motocicletas tornavam-no primitivo, fera. Alheios, televisores com volume alto entorpeciam-lhe os pensamentos à medida da demência.

Rômulo afligia-se com barulho.

Um dia, sob a ponte, lançou meio tijolo no motoqueiro que lhe estourava as artérias com os baques de vácuo no escape, só pra fazer o efeito do eco.

Maurício, o entregador de lanches, levou um pontapé invisível do tijolo e caiu da moto, estampindo o capacete na sarjeta e, no momento câmara-lenta da queda, fraturou três dedos que se encaixaram, finos, na grelha do bueiro, além do fêmur esquerdo e de sete costelas.

Em casa, após fechar as três folhas das portas e atar todos os velcros dos tecidos grossos nas janelas, Rômulo perfurou seu tímpano direito com aquela agulha, fina, das de se limpar os queimadores do fogão.

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4 Comentários

  • Uma vez, lendo irresponsavelmente Nietszche como literatura, vi algo como: “Amo Aquele que se envergonha quando o dado cai em seu favor, e que então pergunta: ‘Sou um jogador desleal?’ — pois quer ir ao fundo.”
    Sempre quis acertar meio tijolo nos motoqueiros que estouram com suas motos do inferno, mas jamais hesitei sobre meus tímpanos. Ainda fal muito pra esse mendigo aqui ser “Além-do-Homem”.
    Pá variá: ducaralho.

  • É do “silencio” mesmo ou é do “silêncio”? Curiosidade para saber se foi de propósito. Independentemente disso, congratulations bem barulhentas… com beijo estalado no ouvido de deixar surdo.

  • É silÊncio… Problema de bios…rs

  • Agonia. Imaginando a agulha no tímpano…


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