Junho 22, 2009...11:42 am

Faz-me um desenho?

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Um homem, não de muita idade, mas de costas definidas na pele. Não homem que se diz de muitos músculos à mostra, o que precisa estar evidente são costelas e coluna, vertebral por vértebra. Nela, a coluna, derrame todo o alfabeto, como se fosse assim costurada. E debruçado sobre uma mulher ele estará. Não corpo inteiro, só um dos braços a cobre. Uma das pernas está dobrada, mas não muito, o que deve dar aspecto de sossego. O homem está nu e de costas, claro. Ele é mais forte que a mulher deitada ao seu lado. E não estão em posição reta na cama bagunçada e de lençol aos pés, ouvido e quase chão. A moça nem é magra nem gorda, é só feia. Deitada de ventre para cima. No seio, ou ao invés dele, há uma interrogação bonita e, redundantemente, questionável. Nos joelhos, abra parênteses, um em cada, par. O umbigo virou ponto de reticências, três. E quantas mais há numa só pessoa? Na linha das clavículas, aspas. Os corpos não tem cabeças: dê a eles duas almofadas. A menor, dela, substitua caso já tenha pensado numa face qualquer que a fulana possa ter, não tem. Ele tem cabeça-travesseiro como a dela e, aparentemente, mais confortável. Ou mais penosa, talvez. Preencha fronha como bem entender. A única exigência é que o travesseiro feminino seja composto por minhocas, algumas até podem furar o tecido. O dele, traz indícios de voo.

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